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quinta-feira, 16 de março de 2017

#67 - SALGUEIRO MAIA, Sophia de Mello Breyner Andresen

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

sábado, 30 de agosto de 2014

#9 OS NAVEGADORES, Sophia de Mello Breyner Andresen

Eles habitam entre um mastro e o vento.

Têm as mãos brancas de sal.
E os ombros vermelhos de sol.

Os espantados peixes se aproximam
Com olhos de gelatina.

O mar manda florir seus roseirais de espuma.

No oceano infinito
Estão detidos num barco
E o barco tem um destino
Que os astros altos indicam.

terça-feira, 6 de maio de 2014

#3 - PORQUE, Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque os outros se mascaram mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se comprem e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.