terça-feira, 30 de dezembro de 2014

#30 - DEPOIS DA FEIRA, Fernando Pessoa

Vão vagos pela estrada,
Cantando sem razão
A última esp'rança dada
À última ilusão.
Não significam nada.
Mimos e bobos são.

Vão juntos e diversos
Sob um luar de ver,
Em que sonhos imersos
Nem saberão dizer,
E cantam aqueles versos
Que lembram sem querer.

Pajens de um morto mito,
Tão líricos!, tão sós!,
Não têm na voz um grito,
Mal têm a própria voz;
E ignora-os o infinito
Que nos ignora a nós.

2 comentários:

  1. Um poema que muito aprecio.

    Feliz Ano Novo, Ricardo.
    Grata pela companhia e pelos bons momentos de leitura que me tem proporcionado.

    Deixo um abraço.

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    1. O sentimento é recíproco, Sónia.

      Um abraço, também.

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