sábado, 30 de agosto de 2014

#9 OS NAVEGADORES, Sophia de Mello Breyner Andresen

Eles habitam entre um mastro e o vento.

Têm as mãos brancas de sal.
E os ombros vermelhos de sol.

Os espantados peixes se aproximam
Com olhos de gelatina.

O mar manda florir seus roseirais de espuma.

No oceano infinito
Estão detidos num barco
E o barco tem um destino
Que os astros altos indicam.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

#8 - O DETRITO DAS ÁGUAS, A. M. Pires Cabral

Neste local, 
o rio avoluma-se inesperadamente.
Alarga-se, alaga
terras que deram milho, casas onde
a fome se amontoou
e foram gerados filhos.

Sobre tudo isso o Douro deposita
o detrito das águas.

Cujo peso sujeita lá em baixo
baixios que perderam a validade.