Palpo o pó da terra
e em meus dedos
só sinto
o receio de pisar
terrenos proibidos.
Aspiro o aroma das flores
e só me figuro
o desespero
e a vala comum.
Entoo canções alegres
e o eco
responde-me em gritos amargurados.
Quero sonhar dias felizes
futuros cor de rosa
mas só vejo
meus dias escuros
carregados de tristeza.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
#20 - ANESTESIA, Agostinho Neto
sábado, 25 de outubro de 2014
#19 - RECITATIVO VII, Vasco Graça Moura
a necessidade
é a mãe de toda a cultura:
vi os do porto,
visível multidão de almas,
irados,
invadindo;
diziam a cidade
minguada de bom vereamento e o único
precisamente o único sítio que tinham
era onde cair mortos
e nem sequer dentro das casas: estas
têm quinze famílias diferentes
e pela sua
dilatada extensão se chamam ilhas
é a mãe de toda a cultura:
vi os do porto,
visível multidão de almas,
irados,
invadindo;
diziam a cidade
minguada de bom vereamento e o único
precisamente o único sítio que tinham
era onde cair mortos
e nem sequer dentro das casas: estas
têm quinze famílias diferentes
e pela sua
dilatada extensão se chamam ilhas
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